Ir para o conteúdo
Luis Ricardo TavaresIMPLANTODONTIA
SobreA clínica
ArtigosContatoAgendar

Início · Artigos · Perdi o dente há anos. Ainda dá para fazer implante?

IMPLANTODONTIA

Perdi o dente há anos. Ainda dá para fazer implante?

Dr. Luis Ricardo Tavares · cirurgião-dentista · CRO-MG 63012 · especialista em Implantodontia
Publicado em 7 de agosto de 2026 · Revisado em 7 de agosto de 2026

Homem de cabelos grisalhos sentado à mesa de casa, olhando pela janela ao fim da tarde

É uma das perguntas mais frequentes na avaliação: passou tempo demais para colocar implante? A resposta curta é que o tempo, sozinho, não decide. O que decide é quanto osso restou naquela região, e isso só a imagem mostra.

O tempo desde a perda impede o implante?

Não por si só. Não existe prazo depois do qual o implante deixa de ser possível. O que existe é uma relação entre o tempo e a quantidade de osso disponível, e é o osso que define a conduta.

Duas pessoas que perderam o mesmo dente há dez anos podem chegar à avaliação em situações completamente diferentes. Uma delas pode ter volume ósseo preservado e receber o implante sem preparo prévio. A outra pode precisar de reconstrução antes. A diferença não está no calendário, está no que aconteceu com aquele osso nesse intervalo.

Por isso a pergunta que a avaliação responde não é quanto tempo faz, e sim quanto osso existe hoje, e em que posição.

Por que o osso diminui quando o dente sai

O osso ao redor da raiz existe em função do dente. Ele se forma para sustentar a raiz e recebe estímulo pela mastigação, transmitido através dela. Quando o dente sai, esse estímulo acaba, e o osso passa a ser reabsorvido pelo próprio organismo.

Esse processo é mais intenso nos primeiros meses depois da extração e continua de forma mais lenta ao longo dos anos. Estudos que acompanharam pacientes após extração de dente único observaram redução expressiva da espessura do rebordo ósseo já no primeiro ano.

Alguns fatores aceleram a perda. Doença periodontal antes da extração deixa o osso já comprometido. Uma extração traumática remove estrutura junto. O uso de prótese removível apoiada sobre a gengiva transmite carga ao rebordo sem estimular o osso, o que também contribui.

E há um ponto que costuma passar despercebido: a causa da perda importa tanto quanto o tempo decorrido. Um dente perdido por fratura em pessoa jovem e saudável deixa um osso diferente do que sobra depois de anos de doença periodontal.

O que a tomografia mostra que o exame clínico não mostra

A gengiva pode parecer normal sobre um osso insuficiente. O exame clínico avalia a mucosa, o espaço entre os dentes vizinhos, a mordida e a condição geral da boca. Nenhuma dessas informações revela a espessura e a altura do osso por baixo.

A tomografia computadorizada de feixe cônico permite ver a região em três dimensões. Ela mostra altura, espessura e densidade do osso disponível, e também a posição de estruturas que precisam ser respeitadas na cirurgia: o canal do nervo alveolar inferior, na mandíbula, e o seio maxilar, na arcada superior.

É a leitura desse exame, somada ao exame clínico, que responde três coisas ao mesmo tempo: se o implante é possível naquela região, em que posição ele entra, e se algum preparo é necessário antes.

Sem esse exame, qualquer resposta sobre viabilidade é palpite.

E quando não há osso suficiente

Falta de osso raramente encerra o assunto. Existem caminhos, e a escolha entre eles depende de quanto falta e de onde falta.

Enxerto ósseo. Reconstrói volume na região onde o implante vai entrar. É preparo, não tratamento: existe para viabilizar o implante, e tem um tempo próprio de integração antes da etapa seguinte.

Levantamento de seio maxilar. Na arcada superior posterior, o seio maxilar pode ocupar o espaço que o osso deixou. O procedimento cria altura óssea naquela região específica.

Implante zigomático. Para casos de perda óssea severa na maxila, existe a possibilidade de ancorar o implante no osso zigomático, que é o osso da maçã do rosto. Em situações selecionadas, essa técnica dispensa o enxerto prévio. A indicação é restrita e definida caso a caso.

Nenhum desses caminhos é regra geral. São alternativas que a avaliação coloca sobre a mesa, com o que cada uma exige em tempo e em etapas, para que a decisão seja tomada com a informação completa.

Quando procurar avaliação

Nenhum dos sinais abaixo define conduta sozinho. Eles indicam que existe uma situação para avaliar, e a avaliação é o que produz o diagnóstico.

  • Existe um espaço sem dente, independentemente de há quanto tempo
  • A prótese removível ou a ponte incomoda, se move ou mudou de encaixe
  • Já houve indicação de que não há osso suficiente e a informação não foi explicada com exame de imagem
  • O dente vizinho ao espaço mudou de posição ou inclinou
  • Houve dificuldade de mastigar de um dos lados e o hábito de mastigar só do outro se instalou

Fontes

  1. Schropp L, Wenzel A, Kostopoulos L, Karring T. Bone healing and soft tissue contour changes following single-tooth extraction: a clinical and radiographic 12-month prospective study. International Journal of Periodontics and Restorative Dentistry, 2003.
  2. Tan WL, Wong TL, Wong MC, Lang NP. A systematic review of post-extractional alveolar hard and soft tissue dimensional changes in humans. Clinical Oral Implants Research, 2012.
  3. Chiapasco M, Casentini P, Zaniboni M. Bone augmentation procedures in implant dentistry. International Journal of Oral and Maxillofacial Implants, 2009.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. A indicação, o plano de tratamento e o prognóstico são definidos individualmente após exame clínico.

Toda conduta começa por uma avaliação.

A avaliação define o diagnóstico, a indicação e o plano de tratamento. Nenhuma conduta é definida antes dela.